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FAZER ASSOCIATIVISMO

Textos sobre as minhas vivências associativas

FAZER ASSOCIATIVISMO

Textos sobre as minhas vivências associativas

O ASSOCIATIVISMO E A SOLIDÃO

Hoje o jornal Expresso edita uma peça jornalística sobre o tema – Suicídio – onde é sublinhado que “entre 2000 e 2008, o suicídio entre os mais velhos quase duplicou”.

Refere-se que no Alentejo regista-se “o dobro da taxa de suicídio mais elevada do mundo (63,3) que pertence à Bielorússia, segundo dados da OMS” .

 

Neste trabalho jornalístico, salienta o psicólogo Carlos Poiares, coordenador de um projecto de apoio psicológico domiciliário a idosos em Lisboa – “mais que a perda do nível de vida è a exclusão social que os devasta”.

Sublinha-se que – “para ir ao cinema ou ao teatro, o idoso precisa de dinheiro, mas sobretudo quem o leve”.

“A velhice traduz-se geralmente num conjunto de perdas sucessivas. Perde-se a saúde, dinheiro, estatuto social, trabalho e laços afectivos” – sublinha neste trabalho do jornal Expresso, Marco Paulino, responsável pela linha de prevenção do suicídio SOS VOZ AMIGA.

Leio este artigo e, de súbito, dou comigo a pensar nas palavras de D. Manuel, Bispo de Setúbal.

Um dia, nos anos 90, quando exercia o cargo de presidente da direcção da SFAL – Sociedade Filarmónica Agrícola Lavradiense, convidei D. Manuel, para participar numa palestra tendo como tema – “O Associativismo”, a qual foi integrada num ciclo de debates tendo como visão – “Pensar o Século XXI”.

Recordo que D. Manuel, ao entrar na colectividade ficou surpreendido pelo número de associados que ocupavam as mesas do Café Bar, jogando ao dominó.

Na época muitos dos que ali estavam a jogar eram ou recém reformados, fruto do encerramento de fabricos no território da Quimiparque, ou muitos que integravam o enorme exército de DLD’s – Desempregados de Longa Duração, também daí oriundos, ou da Lisnave, Setenave ou Siderurgia Nacional.

Em breve troca de palavras, D. Manuel, comentou comigo – “Isto é muito importante. Esta colectividade desempenha um papel social fundamental no combate à solidão”.

Hoje, ao ler o trabalho do jornal Expresso e ao pensar o quotidiano de muitas associações no concelho do Barreiro e na região de Setúbal, de facto, penso isto, essa sua acção social, esse importante e silencioso papel que desempenham no combate à solidão e na regulação da vida social.

 

Fica este tema para reflexão, porque, de facto, ainda está por fazer um estudo sociológico que permita avaliar a importância sócio-cultural, sócio-ecnómica e profiláctica, resultante da existência destes espaços onde é possível dizer : BOM DIA !

Estes espaços sociais, onde é possível e partilhar os dias, por vezes tendo acesso a espectáculos de forma gratuita, continuam, afinal, a ser importantes e, certamente, contribuem para, não só contribuírem para o combate à solidão, mas para reduzir as depressões do envelhecimento.

 

António Sousa Pereira