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FAZER ASSOCIATIVISMO

Textos sobre as minhas vivências associativas

FAZER ASSOCIATIVISMO

Textos sobre as minhas vivências associativas

Os cinco pilares do associativismo : Liberdade - Democracia – Criatividade - Solidariedade – Humanismo

O associativismo só faz sentido, e, na verdade, só se afirma como essência da vida cívica de cada cidadão e da associação, quando, nas práticas quotidianas, procura desenvolver-se tendo como referência cinco pilares que são o seu fundamento - Liberdade - Democracia – Criatividade - Solidariedade – Humanismo.

 

Liberdade é a dimensão ÉTICA do associativismo

 

Em primeiro a LIBERDADE – onde ganha raízes a sua essência de voluntariado, de afirmação de direitos e deveres, a crença que não há associação se ela não se forjar numa dinâmica de inclusão, de adesão, de partilha.

Uma associação nasce na Liberdade, nas vontades que se juntam para atingir objectivos.

Esta é a dimensão ÉTICA do associativismo.

 

Democracia dimensão CÍVICA do associativismo

 

Em segundo lugar a DEMOCRACIA – onde ganha raízes o debate de ideias, a valorização do pluralismo, a eleição dos dirigentes, a gestão democrática, a certeza que cada um na sua individualidade é uma força que contribui para a construção da diversidade que é associação.

Esta é a dimensão CÍVICA do associativismo.

 

Criatividade é a dimensão ESTÉTICA do associativismo

 

Em terceiro lugar a CRIATIVIDADE, onde ganha raízes o fazer associativismo, o dar força à imaginação, ao desenvolvimento de actividades desportivas, recreativas, culturais, onde a fantasia e a inovação deve ser a energia mobilizadora.

Onde sentimos o prazer de viver a associação, de criar, de recriar, e, onde partilhamos momentos enriquecedores que guardamos na memória individual e colectiva.  

Uma associação sem criatividade é um fóssil que vive dos resíduos da memória e da história.

Uma associação sem criatividade não é uma agente em acção, pode ter chegado ao presente, mas, de facto, só chegará ao futuro se, de facto, se reencontrar com as energias criadoras que forjam a inovação e reconstrução.

Esta é a dimensão ESTÉTICA do associativismo.

 

Solidariedade a dimensão Politica do Associativismo

 

Em quarto lugar a SOLIDARIEDADE, onde ganha raízes a relação da associação com a comunidade na afirmação do seu papel e contributo para o desenvolvimento local, a solidariedade enquanto valor de referência da relação entre dirigentes e associados, e de relações interassociativas.

Uma associação afirma-se como agente de desenvolvimento local pela solidariedade activa.

Esta é a dimensão POLITICA do associativismo.

 

Humanismo a dimensão CULTURAL do Associativismo

 

Em quinto lugar o HUMANISMO, onde ganha raízes o viver o associativismo na sua dimensão humana, assumindo-se no viver em conjunto, e, simultaneamente, no viver a individualidade, como actos de valorização dos Direitos Humanos, de respeito pelas diferenças políticas, religiosas, étnicas.

Este é o caminho para que uma associação seja um espaço global de afirmação de um homem total – emocional e intelectual.

Esta é a dimensão CULTURAL do associativismo

 

Os cinco pilares da vida associativa

 

São estes os cinco pilares da vida associativa – LIBERDADE, DEMOCRACIA, CRIATIVIDADE, SOLIDARIEDADE, HUMANISMO.

Um associativista, ou uma associação que não tenha na sua acção colectiva e na acção individual dos seus membros, uma estratégia de dinâmica associativa, tendo por base estes cinco pilares, pode ser um agente promotor de muitas actividades, mas, sem dúvida, que deixa para trás a sua essência, os valores que dão ao associativismo uma dimensão ética (Liberdade), cívica (Democracia) estética (Criatividade), politica (Solidariedade ) e humanista ( Cultural).

 

António Sousa Pereira

Direitos Humanos e o associativismo

Hoje, ao passar os meus olhos por diversos artigos da «Declaração Universal dos Direitos Humanos» dei comigo a reflectir sobre a relação que existe entre as práticas associativas e o seu contributo para a valorização dos «Direitos Humano».

É, aliás, nesta dimensão que podemos pensar o sentido ético das vivências do associativismo.

 

Porque, afinal ser associativista é assumir de forma plena, e, real, não por palavras, mas por actos, que:  

 

«Artigo 1° - Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.»

Ora viver o associativismo e fazer associativismo é, sem dúvida, dar sentido real a este artigo dos «Direitos Humanos».

 

Mas, também é, assumir o - «Artigo 6° -Todos os indivíduos têm direito ao reconhecimento, em todos os lugares, da sua personalidade jurídica.”

Porque, numa associação cada homem é um voto e todos têm os mesmos direitos e deveres.

 

 

E, viver a vida associativa é sentir a associação como uma «Escola de Liberdade» onde, como refere o «Artigo 18° -Toda a pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião; este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção, assim como a liberdade de manifestar a religião ou convicção, sozinho ou em comum, tanto em público como em privado, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pelos ritos»”, porque uma associação, é, sem dúvida, um espaço de respeito pelo direito à diferença, onde a individualidade se constrói no respeito pela diversidade.

 

 

Igualmente, como é salientado no « Artigo 19° - Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão”, ora, na vida associativa, partilhada nas diferenças, estes valores têm projecção nas vivências quotidianas de uma associação que se desenvolve pela inclusão e pela valorização da coesão social.

 

 

E, na verdade, o associativismo é, na prática, aquilo que dá sentido real à vivência humanista do  «Artigo 20° - 1. Toda a pessoa tem direito à liberdade de reunião e de associação pacíficas.

2. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação.”

Pois claro, todos sabemos que a adesão a uma associação é um acto livre e voluntário – assumido como um direito e um dever.

 

 

E, na realidade, se, ser associativista é partilhar a vida com os outros, então, fazendo associativismo damos sentido ao «Artigo 27° - 1. Toda a pessoa tem o direito de tomar parte livremente na vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar no progresso científico e nos benefícios que deste resultam.

2. Todos têm direito à protecção dos interesses morais e materiais ligados a qualquer produção científica, literária ou artística da sua autoria.”.

Porque, sem dúvida, fazer associativismo é fazer a cidade, é ser agente de construção da cidadania e participante activo na construção de um mundo melhor.

 

E, por fim, damos sentido à dimensão intelectual do ser e fazer associativismo, quando sentimos que a vida de uma associação é, na realidade, a concretização do «Artigo 29° - 1. O indivíduo tem deveres para com a comunidade, fora da qual não é possível o livre e pleno desenvolvimento da sua personalidade.

No exercício deste direito e no gozo destas liberdades ninguém está sujeito senão às limitações estabelecidas pela lei com vista exclusivamente a promover o reconhecimento e o respeito dos

direitos e liberdades dos outros e a fim de satisfazer as justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar numa sociedade democrática.”

Somos com os outros. No associativismo, afirmamos a nossa individualidade na construção comum de projectos ao serviço de todos.

 

Portanto, se mais razões não houvessem, esta, de facto, de o associativismo ser um caminho para afirmar, valorizar e defender os «Direitos Humanos», seria ou será, na verdade, uma razão mais que suficiente para sentirmos orgulho em afirmar : “Sou um associativista”!

 

António Sousa Pereira