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FAZER ASSOCIATIVISMO

Textos sobre as minhas vivências associativas

FAZER ASSOCIATIVISMO

Textos sobre as minhas vivências associativas

Associativismo – viver a democracia cultural

Para que o papel das associações possa ser assumido de forma plena no século XXI torna-se necessário e imperioso que seja aprofundado o debate sobre os conceitos “democracia cultural” e “democratização da cultura”.
Antes do 25 de Abril ( muitos que viveram o associativismo nesse tempo sabem) o associativismo era, por vezes, uma “ilha de cidadania”, por vezes, a única brecha por onde, na verdade, se abria ao cidadão o acesso a um lugar onde podia participar, viver a democracia e promover dinâmicas desportivas, recreativas e culturais.

O associativismo era, sem dúvida, um espaço, onde a criatividade, a vontade de fazer, era vivida de forma intensa e criadora. E foram feitas tantas coisas tão belas.Talvez, por essa razão, o regime vigiava e controlava a vida das associações. Quando, em alguma associação era promovida uma qualquer iniciativa que, de facto, não agradava ao regime, de imediato os dirigentes eram chamados e admoestados pela Polícia Política. Mas as associações mantiveram-se vivas, activas, sempre na procura de melhores condições para a comunidade e para os seus associados.

 

A diversificação de dinâmicas sociais


 

Após o 25 de Abril o associativismo continuou a ser esse espaço de afirmação da liberdade.Mas, então, novos problemas se colocaram na vida das associações.A diversificação de dinâmicas. A criação de novos espaços de afirmação da cidadania. A vida dos partidos políticos. As Comissões de Moradores. A vida sindical. As Comissões de Trabalhadores. As dinâmicas de um Poder Local actuante e mais perto dos cidadãos. O nascimento de novas e diversificadas associações – de jovens, de idosos.

 

O associativismo começa a ter que lutar com os seus próprios meios para conseguir sobreviver, renovar-se e manter-se activo numa sociedade em profunda mudança.Manter as dinâmicas associativas implicava procurar encontrar respostas para os novos desafios. Modernizar. Renovar.Nem sempre existiu compreensão para os problemas emergentes. As associações tinham que lutar com os seus próprios meios, e encontrar resposta aos factores diversos com os quais tinha que concorrer : o vídeo, as parabólicas, os novos canais de televisão.

 

Outro aspecto importante que afectou, de forma muito directa, a vida das associações e o desenvolvimento do seu papel nas comunidades, foi a contradição que se gerou entre os conceitos “democracia cultural” e “democratização cultural”, que costumo, por razões de proximidade, costumo identificar com o conceito de “municipalização cultural”.

Um cidadão actor na cidade Os desafios que se colocam nos tempos de hoje ao associativismo são diversos, mas o mais importante, reside nas suas capacidades de se afirmar como parceiro reconhecido e indispensável, nas estratégias de promoção da “democracia cultural”.

A “democracia cultural” abre espaço à participação, à vivência da cidadania de forma activa. Um cidadão actor (como dirá Beja Santos – consumactor) .

A “democratização cultural” reduz os cidadãos a meros consumidores de fenómenos culturais. Um cidadão consumidor.Este um debate que está por fazer e por ele, sem dúvida, vai passar a definição do papel do associativismo na construção da cidadania do século XXI.Ainda não é tarde…mas se este debate não for feito e aprofundado, talvez, no futuro, se lamente que os cidadãos fiquem indiferentes ao associativismo.

António Sousa Pereira

 

Nota - Artigo escrito no ano 2006, que descobri, hoje, publicado em 12/02/2006 no blogue http://espacoanimarte.blogspot.pt/2006/12/associativismo-viver-democracia.html

 

O Prazer da Intervenção Cívica

Desde jovem, talvez até mesmo desde criança, sempre senti prazer em partilhar a vida com os outros.

Recordo, nos meus tempos de criança, com 10 ou 11 anos, já me metia a organizar «campeonatos de futebol», com clubes de rua, na minha terra natal.

Recordo que, no Largo da Bica, chegámos a constituir o SLB – Sport Leões da Bica. Era uma festa para todos nós ali na Rua Estreita, no coração de Vila Real de Santo António.

Depois, o escutismo, primeiro na AEP, depois na CNE, foram uns tempos de ricas memórias, vivências e aprendizagens que nunca esqueci e adorei.

Estar com os outros, partilhar o dia-a-dia com os outros, sempre me apaixonou.

Quando vim ver para o Barreiro, foi através da vida associativa que me integrei na vida desta comunidade.

 

Vivi sempre o associativismo e também o cooperativismo como uma forma de estar presente e agir na vida da comunidade.

O associativismo é uma das paixões da minha vida, é um mundo de grande riqueza humanista, que dá para aprender e sentir o que é partilhar a vida nas diferenças.

 

O associativismo dá gozo por sentirmos a PICA – o PRAZER DA INTERVENÇÃO CÍVICA.

 

Mas, acima de tudo, dá-nos energia por sentirmos que na vida associativa cumprimos a nossa cidadania, mas, só fazemos associativismo, quando vivemos e cumprimos os seus dois grandes fundamentos – Ter Direitos e Ter Deveres.

Quem vive ou faz associativismo deixando para trás um destes dois fundamentos, nunca faz associativismo, porque quem só exige DIREITOS é um «parasita do associativismo»,e, se, apenas cumpre DEVERES, é porque «vegeta associativismo», não o sente no pulsar do coração dos dias como força criadora.

 

Não se vive o associativismo, não se sente o associativismo, não se faz associativismo, se não cumprirmos os Deveres e vivermos os Direitos. Cumprir os deveres agindo e sendo. Vivendo os Direitos afirmando-os com criatividade, paixão e inovação!

 

É isto que me faz sentir o associativismo, o prazer de cumprir um dever de cidadania, e a alegria de viver o meu direito a ser cidadão de corpo inteiro, partilhando a vida com os outros e sentido que pela acção dou o meu pequeno contributo para fazer um mundo melhor.

 

Por vezes, dou comigo a pensar, se a minha vida acabasse hoje, tinha a convicta consciência que, quando por aqui andei, agi e contribui para deixar o mundo um pouco melhor que o encontrei e, isso, de facto, dá-me uma grande satisfação, porque é assim que sinto que todos devemos viver a vida associativa.

 

Sim, já agora, dizer, que tudo isto veio a propósito de uma conversa hoje, pela manhã, com o Ti'João da Toyota, ali, na esquina da SFAL, que referia ele - nos tempos de hoje, as pessoas só pensam que têm DIREITOS e esquecem sempre os DEVERES.

 

É assim ti'João, disse-lhe eu, também na vida associativa é assim, as pessoas só falam dos seus direitos - o direito ao jornal, o direito à sport tv, o direito a entradas gratuitas, porque como pagam uma quota de 1 euro mensal, têm direitos, até o direito de enxovalhar aqueles que optam por viver a vida cumprindo com DIREITOS E DEVERES.

 

Antonio Sousa Pereira