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FAZER ASSOCIATIVISMO

Textos sobre as minhas vivências associativas

FAZER ASSOCIATIVISMO

Textos sobre as minhas vivências associativas

Os cortes e os aumentos de apoio ao Movimento Associativo

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A Vereadora Sara Ferreira, que, na verdade, com a sua equipa, tem vindo a desenvolver um bom trabalho ao nível da intervenção social no apoio a familias carenciadas, numa recente reunião da Câmara Municipal do Barreiro, a propósito de uma proposta apresentada pela CDU visando a atribuição de apoio financeiro à Cooperativa Mula, pelo meritório trabalho que está a realizar com a sua Cantina Solidária, apoiando familias na sua alimentação, nestes tempo de crise que está a gerar dramas sociais, pela perda de rendimentos e perda de empregos.

Na sua argumentação a justificar a votação contra a proposta de apoio à Cooperativa Mula, considerou importante salientar as diferenças entre a actual gestão da autarquia, PS, e, a anterior gestão, CDU, perante momentos de crise.

Referiu que nesta crise, fruto da COVID 19, o executivo liderado pelos socialistas aumentou os apoios ao Movimento Associativo, enquanto na anterior crise da Troika, o executivo liderado pelos comunistas, cortou os apoios ao Movimento Associativo.

Ao escutar esta argumentação pasmei. Porque fico sempre pasmado quando escuto esses argumentos que “eu sou melhor que tu”, como se os apoios de uma autarquia ao Movimento Associativo fosse alguma benesse, alguma dádiva, algum apoio especial.
Sou defensor, sempre fui defensor que as autarquias em relação ao movimento associativo, não dão nenhum apoio, apenas, isso sim, distribuem uma fatia do orçamento municipal, definem verbas, para estimular dinâmicas locais, para valorizar o trabalho voluntário dos cidadãos que fazem a sua cidadania activa no associativismo. É uma espécie de «cheque para fazer associativismo». Os cidadãos que pagam os seus impostos e recebem do municipio parte desses impostos para fazer cidadania, para fazer cidade, para criar escolas de democracia. Ponto final. Ninguém dá apoio. Distribui um direito.
É por isso que já não tenho pachorra para esta conversa dos apoios das autarquias ao movimento associativo. Essa coisa que tem por trás uma cultura de subsidio-dependência, de submissão aos eleitos do Poder Local, sejam eles quais forem, como se fossem os decisores do dar, quando não se trata de dar nada, não dão nada, não é nada deles, é nosso, dos cidadãos. A cidade também somos nós, todos nós que fazem cidadania activa no fazer associativismo.

O Poder Local deve, isso sim, definir politicas de desenvolvimento local, politicas de promoção e valorização da cidadania – estimulando a criação de estruturas, requalificando equipamentos, atribuindo materiais, e, determinando verbas, com base em contratos-programa, regularmente avaliados.

 

E, disse a Vereadora Sara Ferreira que, o PS, nesta crise do COVID deu mais apoios ao Movimento Associativo, que a CDU, deu na crise da Troika.
E, é isto o fazer politica, com base na arte de provar quem dá mais, quem dá menos, quando em relação ao Movimento Associativo está tudo como dantes, e não é por mais tostão, ou menos tostão, que se determina existência de mudanças de politicas na valorização de uma realidade social, que foi daquelas que sentiu na pele os efeitos profundos da desindustrialização. Essa sim, a grande crise que afecta o Barreiro há décadas e vai continuar a afectar nas próximas décadas.

Mas, voltando a dar mais, ou, ao dar menos, em crises diferentes, com contextos diferentes, é querer comparar o dito, com o cujo.
De facto, no anterior executivo da CDU, na crise da Troika, a Câmara Municipal do Barreiro cortou os tais ditos apoios. Fez a CDU, faria o PS, ou o PSD, como aconteceu por todo o país.
As autarquias sentiram na pele, como todo o país sentiu, os efeitos dos cortes de verbas no Orçamento de Estado, impostos pela Troika.

Foram enormes as reduções das receitas municipais, e, na verdade, os municipios foram impedidos de continuar a ter orçamentos inflaccionados. Não pretendo ser defensor da CDU. Registo factos. A verdade.
Portanto, era óbvio que era impossível dar os ditos apoios com a existência de menos verbas no orçamento. Era impossível não cortar. Esconder esta verdade, é querer tapar o sol com a peneira.

O actual executivo com a Crise da COVID 19, não só, não teve cortes orçamentais nas receitas da autarquia, como até, pelo governo, foram autorizadas a realização de despesas extraordinárias, no âmbito da emergência à crise, e, além disso, o municipio do Barreiro, tem uma condição financeira que deve agradecer, por exemplo ao «Ronaldo cá do sitio», o Vereador Carlos Moreira, da CDU.

O executivo municipal, PS, recebeu todas as condições para, nesta crise, poder apoiar e, sem dúvida, aumentar os apoios ao Movimento Associativo, até aos Bombeiros, de que tanto faz apanágio. Pode fazê-lo e deve fazê-lo. Mal seria se assim não fosse, seria mau, eu diria, seria mau, muito mau...
O municipio tem receitas e tem um orçamento municipal como nunca teve, herdado da anterior gestão, que lhe permite definir estratégias e prioridades.
Já podia e devia estar em marcha um plano de re-novação e re-activação, de co-laboração , de co- operação com o associativismo, neste tempo pós crise da desindustrialização, – unido o novo ao velho associativismo, no fazer presente.
Um associativismo que é essencial, foi essencial no manter a coesão social e, vai ser, importante para motivar o voluntariado e fazer do associativismo um polo de dinâmica de cidadania, de desenvolvimento desportivo e cultural, neste pós crise COVID.

Mas, isto implicava debate de ideias. Implicava pensar cidade. Coisa que não existe.
Isto, nem é culpa da Vereadora Sara Ferreira, que, na verdade, continuando a fazer tudo como dantes, a gerir o modelo que herdou, a gerir um parcela do orçamento municipal que, mesmo com algum crescimento, a verdade é que, mal está aprovado, já está cativado. Olha o que poderia ter sido feito e seria, no desenvolvimento cultural, desportivo e de cidadania do concleho com o mais, muito mais, de 1 milhão de euros, gastos, naquela coisa que dizem que é uma nova centralidade, junto ao Barreiro A. São opções. Para dizer que há obra. Enfim.

E, este ano, Sara Ferreira, até, de facto, teve o privilégio de entre os apoios ao Movimento Associativo contar com as receitas do SUPERA, que por proposta do PSD, reforçaram o dito apoio ao Movimento Associativo. Numa proposta estudada e direccionada com régua e esquadro.

Tudo isto, soltou-se na minha mente, para referir que é verdade que foram feitos cortes pela CDU, nos tempos da Troika. Mas, também é verdade, que nos tempos da troika, todos sentimos na pele o garrote. Ignorar isto é iludir.

Sim, é verdade que na crise COVID foram aumentados, pelo PS, os apoios ao movimento associativo. Se tal não fosse feito é que seria muito grave. O governo até abriu a bolsa.

Mas, aproveito para referir que continuou preocupado com a forma como é encarado o papel do Movimento Associativo na vida da comunidade.
E, até, pelo facto de não estar em debate uma proposta que perspectiva a criação de um «Fundo de Emergência» para proporcionar aos voluntários da vida associativa, sentirem que vale a pena, neste século XXI, continuar viver e fazer associativismo.
Enquanto o associativismo for o parente pobre da cidadania, ou, continue a ser apoiado por se integrar em planos de desenvolvimento municipal, ou por funcionar como ‘correia de transmissão do’ fazer cultura na cidade, isto, será sempre a mesma coisa, com mais, ou menos, maquilhagem...
Esta conversa de eu dou mais que tu, ou, eu dei mais que tu, num contexto de crise, é bem um exemplo, real, da relação do Poder Local com o associativismo.

S.P.