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FAZER ASSOCIATIVISMO

Textos sobre as minhas vivências associativas

FAZER ASSOCIATIVISMO

Textos sobre as minhas vivências associativas

Associativismo a escola da Liberdade

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Amar a vida é amar todo o tempo que está inscrito no tempo que fomos e somos. O nosso tempo. Os nossos passos. O nosso fazer. O nosso caminhar.
Nesse tempo vivido, nunca estamos sozinhos, há sempre quem caminhe ao nosso lado, de braço dado, de mãos dadas, há sempre alguém com quem construímos o tempo, por dentro do tempo que somos.
Umas vezes sorrindo. Outras vezes chorando.
A vida não é um mar de rosas. A vida não é um campo de cravos floridos.
Hoje, nos meus 67 anos, cada vez mais, por tudo o que vivi, acredito, que o melhor da vida, é o tempo que vivemos apaixonados pelo que fazemos, só pelo que fazemos, só pelo que sentimos, sem querer nada em troca senão o prazer de viver, como quem voa, tendo a consciência que a nossa acção, junto às de outros e de outras, são gotas de colibri que tentam legar um mundo melhor e fazer um mundo um pouco melhor.
Pode ser um mero sonho, uma ilusão, mas, pelo que vivi, e vivo, ainda acredito, que o melhor do mundo é o amor à vida e a paixão com que vivemos os dias, com o prazer de viver fazendo o que gostamos. Amando com o coração. É aí que estão as raízes que nos dão força para sorrir e caminhar. Isso é que é lindo!

Vem tudo isto a propósito de hoje, dia 10 de Julho, celebrar os meus 47 anos de associado da SFAL – a mais antiga colectividade do concelho do Barreiro, onde fui dirigente durante décadas, onde me distinguiram como Sócio Honorário, onde dei e recebi, donde guardo muitas recordações – amizades, adversidades, alegrias, tristezas, gratidão e ingratidão. Uma escola de vida, ali, aprendi a sentir a acção do ser humano em toda a sua plenitude. Afecto e Maldade. Vaidades. Orgulho. Maledicência. Abraços solidários. Beijos de ternura. Aquela frase que não esqueço – “olhos nos olhos”.

Hoje, raramente frequento a colectividade. Parafraseando o poeta – “ser associativista todos os dias, também cansa”.
Para mim, o associativismo é uma paixão. Foi ali, nessas vivências, que aprendi a viver e a sentir na consciência as palavras – Liberdade, Democracia, Solidariedade, Criatividade e Humanidade.
Estas realidades estão inscritas no meu coração, porque as vivi, porque as senti, porque as cultivei, porque foram prática de vida. Tudo o resto é treta.
Foi um tempo que gerou essas raízes que fizeram sentir a comunidade e, muito mais importante, a descoberta da minha interioridade.
O associativismo foi a minha escola de Liberdade, por essa razão, admiro todos aqueles que continuam, nos dias de hoje, a fazer associativismo de forma livre e voluntária. Este é o maior e o mais belo gesto de amor à vida e à comunidade.
Um dos meus sonhos – coisa linda – é viver os 50 anos do 25 de Abril, mas, antes, quero festejar os 50 anos de associado da SFAL.
Obrigado!

António Sousa Pereira