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FAZER ASSOCIATIVISMO

Textos sobre as minhas vivências associativas

FAZER ASSOCIATIVISMO

Textos sobre as minhas vivências associativas

Estar no associativismo é um acto livre e voluntário

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Hoje, no decorrer da tomada de posse dos órgãos sociais da SFAL – a colectividade que marcou muito da minha vida – referi algumas ideias que considero essenciais para quem vive e sente estas coisas do associativismo.

Em primeiro lugar valorizei a importância do viver a vida associativa com pleno respeito pelas diferenças. Esta foi uma vertente marcante na minha forma de estar e um «sentimento cultural» que sempre vivi naquela velhinha associação. O sentir o associativismo co-operando, co-laborando, com uma total dimensão cívica, no fazer associativismo com o respeito pelas diferenças, partilhando a cidadania e fazendo comunidade, acima de partidos, acima de religiões – cada um transportando os seus ideais, mas fazendo da associação um espaço de cultura democrática, porque, desde sempre ali, aprendi e vivi, que a democracia não tem ideologia – é o confronto e afirmação de diferenças ideológicas, construindo presente e fazendo futuro.

Sempre registei a presença nos órgãos sociais da SFAL de associados filiados ou simpatizantes de diferentes partidos do PCP, PS, PSD, BE ou sem partido, assim como de diferentes opções religiosas. E sempre encontrei o respeito pelas diferenças.

 

Em segundo lugar, recordei que fazer associativismo é complicado, tanto mais complicado quando, em todos os tempos, existem os «perfeccionistas», aqueles que tudo sabem e muitas vezes nada fazem, que não deixam construir e desmotivam , criticam, paralisam a vida associativa e destroem caracteres.

Isso dói, mas, quem opta por fazer associativismo tem que contar com essa realidade.

Os eternos velhos do restelo, existem, e, de facto, regra geral, ficam para trás na história. Fazem mossas, mas, a verdade, é que não param o rumo da história. As transformações fruto da acção humana, de vontades que se juntam para fazer e mudar a vida – melhorando o mundo!

 

Em terceiro lugar, recordei que não há insubstituíveis e, em cada tempo, uma das responsabilidades do dirigente associativo é preparar os dirigentes de amanhã, promovendo uma cultura associativa que motive os novos a abrir os caminhos do futuro.

É preciso nunca esquecer aquela frase que um dia aprendi – o cemitério está cheio de insubstituíveis.

Cada um de nós tem a importância por aquilo que dá, ou não dá, todos, acabamos por ser responsáveis pela forma como assumimos o lugar no tempo que vivemos.

É por isso que estar no associativismo é um acto livre e voluntário – é uma escolha!

 

Em quarto lugar, recordei um sonho que alimento há décadas, a necessidade de existir uma estratégia de valorização do património associativo, dando-lhe a expressão de espaços comunitários – largos da terra – onde há memórias, há presente e futuro.

Tem que existir planos de valorização  - podem ser para uma década –que contribuam para que os espaços associativos sejam revitalizados, reestruturados, dando-lhes condições dignas para práticas de cidadania – do desporto, lazer e cultura.

Esta é uma dimensão que deve envolver autarquias, associações,  poder central, de forma a que sejam garantidas verbas que resolvam problemas estruturantes, permitindo aos dirigentes canalizar as suas energias para a criatividade e cidadania.

Foram estas as ideias que quis transmitir, neste dia, que, afinal, marca o deixar de assumir a missão de dirigente, que desde 1979, quase de forma permanente exerci na SFAL, em diversos órgãos na Mesa da Assembleia Geral, no Conselho Fiscal, na Direcção, em diversos cargos de Presidente a Secretário, ou até mesmo Vogal.

Mas, estar na vida associativa, é estar a viver cidadania e, espero, como associado, continuar, e, talvez, dentro de cinco anos assinalar os meus 50 anos de sócio da SFAL.

 

Bom trabalho. Até já!

 

António Sousa Pereira

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