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FAZER ASSOCIATIVISMO

Textos sobre as minhas vivências associativas

FAZER ASSOCIATIVISMO

Textos sobre as minhas vivências associativas

«Se a SFAL precisar eu ajudo»

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Um dia, no começo dos anos 70, a minha vida tomou o rumo de Lisboa para o Barreiro. Aqui, afinal, construi grande parte, mesmo a maior parte, de todo o tempo que faz este tempo que é a minha existência.
Quando por aqui cheguei esta era para mim uma terra desconhecida. Foi através das portas do associativismo que me integrei nesta comunidade.
Talvez por essa razão, uma porta aberta ao novo tempo, e, também, por trazer comigo as vivências do escutismo, a vida associativa não me era alheia, antes pelo contrário, já fazia parte da minha forma de sentir, pensar e viver o mundo.

A SFAL foi a colectividade que abriu as portas para me receber e por ali, pouco a pouco, integrei-me na vida local. Criei amigos. Partilhei vontades. E descobri o amor, aquele que nasce por dentro dos nervos, forja-se nos dias, ergue-se de tal forma nas raízes do coração que acaba por ser a força central de todo o tempo que vivemos. Um nós que é feito de um eu e um tu, esse sentimento onde somos, tanto, ou tanto mais, quanto vamos sendo.
A SFAL é, por essa razão, uma associação que tem um simbolismo muito especial em tudo o que sou e fiz, ali, descobri de tudo, mesmo tudo, do amor ao ódio, da ternura à vaidade, das carícias aos beliscões, da gratidão à ingratidão, do dar, do receber, das emoções alegres e tristes. Da entrega até ao limites, do sentir as dificuldades e lutar para superar, numa entrega que só sente quem vive o associativismo com um espaço de construção de amizade, fraternidade, solidariedade. Tudo o resto é cansaço, porque, como um dia, parafraseando o poeta escrevi – ser associativista todos os dias também cansa.

Uma escola de vida, de aprendizagens, onde tudo o que é humano emerge, para o bem e para o mal, mas, que, numa avaliação global, no tempo vivido, o que fica e o que vale recordar e guardar é tudo o que de belo, aqueles instantes que vivemos com as lágrimas feitas de emoções a florir. Sorrisos de crianças. Abraços.
Aqueles dias que olhamos e vimos o futuro a erguer-se em paredes, lentamente, dolorosamente, essas que ficam reais, obra que se inscreve no futuro. Valeu a pena. Isso é que conta. Porque afinal o associativismo é fazer. Sonhar, lutar e fazer. Construir solidariedade e fazer comunidade.

Escrevo tudo isto, hoje e aqui, porque durante alguns anos eu dizia, para mim mesmo, gostava de viver para festejar os 150 anos da SFAL – a Colectividade que faz parte da minha vida.
Tive esse prazer de durante o ano 2017recordar, evocar e festejar essa efeméride.

E, para encerrar os eventos e iniciativas vivi dois momentos lindos que não vou esquecer. A peça de teatro - «Memórias da minha velhinha», levada a cena pelo TISFAL, com encenação da Lurdes, um momento que tocou os meus neurónios, emocionou-me, de tal forma que senti os meus olhos tocados, brilhantes e a florir com os nervos do Tejo. Foi lindo. Obrigado TISFAL!

Depois a sessão solene evocativa da efeméride. Sim, sei, há os discursos que marcam estas circunstâncias sociais. Os aplausos. As evocações. Tudo aquilo que, afinal, é normal.
Mas nesta sessão, mais uma vez emocionei-me quando aquela criança, salvo erro com 9 anos - Beatriz Silva - quando o Presidente da Mesa da Assembleia Geral perguntou se algum sócio pretendia usar da palavra, ela, de forma natural disse : “Eu quero falar”.
Levanta-se, sorrindo, senhora de si, pega no microfone e afirma: “Eu gosto muito da SFAL. Se a SFAL precisar eu ajudo”.
Aplaudi. Sorri. E pensei, só por este momento, inesquecível, valeu tudo o que vivi, tudo o que deixei de viver, tudo o que fiz para sentir, amar, ver crescer a SFAL, até, hoje e aqui, ao festejar os seus 150 anos de história.

Foi isso Beatriz que me fez pensar, sonhar, agir e fazer associativismo: “Eu gosto muito da SFAL”
Obrigado Beatriz, porque, naquele instante, fizeste todo o tempo de associativismo pulsar nos meus olhos.

António Sousa Pereira